INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Como a inteligência artificial está transformando o setor imobiliário?

O desafio não está em acompanhar todas as ferramentas que surgem a cada dia, mas em desenvolver a capacidade de aprender e se adaptar.

17 AGO 2026·7 MIN DE LEITURA

A inteligência artificial vem ocupando um espaço cada vez mais estratégico dentro das empresas.

O que começou como uma ferramenta voltada à automação de tarefas evoluiu para uma tecnologia capaz de transformar a forma como as organizações acessam, compartilham e aplicam conhecimento. A discussão deixou de ser se a IA será adotada e passou a se concentrar em como utilizá-la de maneira eficiente e alinhada aos desafios reais do negócio.

Em um mercado tão dependente de informação quanto o imobiliário, essa mudança tem efeitos diretos sobre a experiência do cliente e o sucesso da operação.

Os ganhos na Jornada de Compra

Na prática, o impacto da IA já pode ser percebido ao longo de toda a jornada de compra. A aquisição de um imóvel envolve crédito, documentação, regulamentação, etapas construtivas e uma série de decisões que exigem rapidez e segurança.

Quando as informações não circulam de forma adequada, processos se tornam mais lentos, equipes enfrentam mais dificuldades para atuar e a experiência do cliente perde qualidade.

Na MRV, a adoção da inteligência artificial começou há alguns anos no relacionamento com clientes com o lançamento da Mia, assistente virtual voltada ao atendimento e à personalização da jornada de compra.

O ganho operacional foi importante, mas o principal aprendizado veio depois: a IA não gera valor apenas por automatizar processos. Seu verdadeiro potencial está em resolver problemas concretos e tornar a experiência das pessoas mais simples.

Implementação 360° e benefícios da construção de ecossistema

Esse entendimento abriu espaço para uma transformação mais ampla dentro da companhia. Hoje, diferentes áreas contam com agentes especializados para apoiar demandas específicas.

O MIAG, por exemplo, permite criar assistentes personalizados a partir de documentos e conteúdos internos. O MARCO atua como copiloto de vendas para corretores, apoiando dúvidas sobre produtos, financiamento e processos comerciais.

Nesse ecossistema, também está o MAO, sigla para Melhor Amigo da Obra, desenvolvido para apoiar engenheiros e equipes de campo em tarefas práticas, como consultas a normas técnicas e atividades operacionais.

Mais recentemente, a MRV lançou a Susi, criada para tornar o Relatório de Sustentabilidade mais acessível por meio de uma experiência conversacional via WhatsApp para diferentes públicos, entre eles investidores, estudantes e interessados em ESG.

Orquestração do conhecimento

Mais do que multiplicar assistentes, o caminho que perseguimos é o de uma plataforma que organiza o conhecimento da companhia em um único lugar e o disponibiliza de forma orquestrada. O valor não está no número de agentes, e sim na capacidade de colocar conhecimento em circulação com mais agilidade, governança, contexto e escala.

Embora tenham objetivos distintos, todas essas iniciativas seguem a mesma lógica: aproximar a informação da tomada de decisão. E os resultados já fazem parte da rotina da companhia.

Copilotos respondem dúvidas sobre financiamento em segundos, soluções de crédito reduzem o tempo de decisão para poucos minutos e ferramentas de IA tornam conteúdos técnicos complexos mais acessíveis.

Assim, quando um corretor esclarece rapidamente uma dúvida, um profissional recém-chegado a uma obra recebe suporte imediato ou um relatório de sustentabilidade com mais de 200 páginas pode ser consultado por meio de uma conversa simples, o que está em jogo não é apenas produtividade.

Esse é, a meu ver, um dos efeitos mais transformadores da inteligência artificial dentro das empresas.

Durante décadas, o conhecimento organizacional ficou concentrado em áreas ou profissionais específicos. A experiência das pessoas continua indispensável, mas a tecnologia permite que esse repertório circule com mais facilidade e esteja disponível no momento em que alguém precisa decidir, resolver um problema ou atender melhor.

Grandes poderes, grandes responsabilidades

Naturalmente, o avanço da IA também traz responsabilidades. A velocidade com que a tecnologia evolui exige atenção permanente à curadoria de conteúdo, à segurança da informação, à governança e aos vieses algorítmicos.

Sem direcionamento estratégico, até mesmo soluções sofisticadas correm o risco de se transformar em distração tecnológica. Por isso, o debate precisa ir além.

O desafio não está em acompanhar todas as ferramentas que surgem a cada dia, mas em desenvolver a capacidade de aprender e se adaptar. Processos continuarão exigindo revisões, hipóteses precisarão ser constantemente testadas e decisões terão de ser tomadas com agilidade em um ambiente cada vez mais dinâmico.

Essa não é uma exigência criada pela inteligência artificial, mas uma realidade que ela apenas tornou ainda mais evidente e inegociável.

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